Cabeça de Galo (O olho), 1941.

Cândido Portinari. Cabeça de Galo (O olho), 1941. Óleo sobre tela. 55 x 46 cm. Coleção particular. Renato Whitaker..jpg

Cândido Portinari. Cabeça de Galo (O olho), 1941. Óleo sobre tela. 55 x 46 cm. Coleção particular. Renato Whitaker.

Cabeça de Galo, realmente, coloca no limite a dificuldade da “decifração” da figura. Não é uma busca pelo abstracionismo, mas parece um exercício formal capaz de sinalizar para esse movimento. Ernest Fromm aconselha aos indignados com o quadro que percebam que, se o título atribuído fosse “estudo em branco e vermelho”, não faria a menor diferença. Fromm tem consciência de que tal tela de Portinari deve ser como um exercício meramente formal. Para uma população como a de Belo Horizonte, acostumada à estética conservadora e às representações “ilusionistas” de paisagens de Mattos, deve ter causado efetiva sensação.

O estranhamento ao deparar-se com Cabeça de Galo ocorre na tenta­tiva de reconhecer a imagem da forma que é apresentada. No primeiro contato visual com a tela, o observador é conduzido até o olho do galo. Reconhece-se o olho, mas não se consegue perceber ainda que a cabeça está virada. Isso certamente acontece porque, independentemente da posição da cabeça do animal, a representação do olho permaneceria a mesma. Um sentido em espiral formado pelas cores branca, vermelha e preta conduz o olhar para o quadro. O movimento, entretanto, não se constrói de forma homogênea, tanto pela distribuição das cores como também pelas pinceladas grossas que se apresentam como cortes.

Ao avisar-se ou perceber que a cabeça do galo está virada, cabe o questionamento: mas onde está o resto do corpo? Parece que o galo está fazendo um imenso esforço para se libertar de um espaço que o aprisiona, por isso se contorce, buscando maior mobilidade. Uma outra interpretação possível é conceber que, na parte inferior do quadro, está representado o pé do galo, o que possibilitaria uma vi­zualização do movimento circunscrita no mesmo ambiente. Portinari, com a execução desse trabalho, é capaz de materializar as oposições entre “conservadores” e “progressistas” que caracterizam os comen­tários críticos sobre a obra dividindo Belo Horizonte em “dois par­tidos políticos”.

Para saber mais: VIVAS,Rodrigo. Por uma História da Arte em Belo Horizonte: Artistas, exposições e salões de arte. Belo Horizonte: C/ Arte, 2012. 248 p.

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