A Hora da Noite Minguante, 1964.

A Hora da Noite Minguante, João Osório Brezezinski, 1964. (113,7 x 144,5 cm). Foto: Nelyane Santos, setembro de 2013. Acervo Museu de Arte da Pampulha.

A pintura selecionada é a óleo sobre tela feita com acréscimos de tecido de saco de linhagem e tecido mais fino colados e agregados pelos empastes de tinta. (…) A composição é diagonal, distribuindo massas de cor de forma abstrata, insinuando uma figura paisagística se vista à distância, principalmente se o observador for influenciado pela informação do título da obra. (…) A poética da visualidade na obra de João Osório, reforçada pelo título, opõe-se ao uso de materiais inusitados, materiais estes que se observados isoladamente não fazem parte do universo da pintura por serem grosseiros. O claro e escuro que se contrastam demarcando os elementos da poética, a lua e a noite, são adquiridos tanto pelo efeito pictórico quanto pela materialidade dos tecidos e da tinta em empastes pesados. A composição em diagonal auxilia o observador a capitar a ideia de penumbra. A sensação de uma visão texturizada da matéria na obra contrasta com a poética de uma visão daquilo que não se pode tocar. (SANTOS, p. 47-53)

Para saber mais: SANTOS, Nelyane Goncalves; VIVAS, Rodrigo. A história da arte de Belo Horizonte a partir de obras dos Salões Municipais entre 1964 e 1968. 2014. 165 f. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de Minas Gerais, Escola de Belas Artes.

linha-divisoria

Na obra de João Osório Brezezinski, A hora da noite minguante, premiada no XIX SMBA-BH, de 1964, a utilização da matéria transforma as relações entre suporte e representação, tornando-a praticamente indissociável dos valores da trama da tela e da tinta, em uma relação de total aderência dos materiais ao suporte utilizado. O artista efetiva um cenário no limiar do reconhecimento da obra como pintura situada nas relações entre o suporte bidimensional e a tridimensionalidade dos elementos incorporados. O contato com a arte abstrata por parte de João Osório teria sido inicialmente delineado em Curitiba e reforçado em 1959 com a Bienal de São Paulo, composta por grande presença de obras abstratas. (…) Osório define seu movimento de abstração como um processo de simplificação das paisagens, o mesmo que reduzi-las naquilo que seria verdadeiramente essencial:

Que seria essencial numa paisagem: uma casa, uma árvore, um rio? Ora, ela pode existir sem qualquer desses elementos ou outros quaisquer. Então chego à essência, ou seja, àquela amplidão, aquele sentido de pequenez que experimentamos em contato com a natureza. E esse valor que abstraio ao pintar, sendo isso o que quero que se sinta diante de minhas obras.

Para saber mais: VIVAS, Rodrigo. Abstrações em movimento: Concretismo, Neoconcretismo e Tachismo. Porto Alegre: Zouk, 2016. 140 p.

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