Alquimia Solar I, 1966.

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Alquimia Solar I. Ildeu Moreira, 1966. (76,5 x 53,5 cm). Foto: Nelyane Santos, dezembro de 2013. Acervo Museu de Arte da Pampulha.

Ildeu Moreira foi outro artista de tradição figurativa premiado com uma obra abstrata, Alquimia Solar I, no XXI SMBA-BH, de 1966. A crítica local reconheceu a alteração da produção de Moreira ao afirmar que “[…] o segundo lugar de pintura coube ao mineiro Ildeu Moreira, que persegue o prêmio há muitos anos. É um artista sério, bom artesão e o seu prêmio, se bem que não tenha visto o seu trabalho, deve ter sido merecido”. A associação do título Alquimia Solar é dificilmente evitável. Uma aproximação interessante seria verificar que a textura conferida ao sol localiza-se em seu astro oposto, – a lua, remetendo as crateras e imperfeições geralmente associadas ao satélite sem luz própria, e não à estrela solar. A própria escuridão do quadro sugere essa junção, uma vez que, embora o sol seja potente em iluminação, o artista representa a atmosfera em tons de azul-escuro, com algumas incursões em vermelho/laranja. Essa análise também seria convergente com o conceito de alquimia, no qual se pressupõe a união e a transformação de elementos distintos para a criação de outro.

Para saber mais: VIVAS, Rodrigo. Abstrações em movimento: Concretismo, Neoconcretismo e Tachismo. Porto Alegre: Zouk, 2016. 140 p.

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Trata-se de uma obra com aspectos de materialidade demarcados pela textura e formas que os materiais pigmentados adquiriram na superfície. O que aparenta ser empastes de tinta a óleo provavelmente é a liga metálica declarada pelo artista em etiqueta no verso da obra. (…) Facilmente é possível associar a obra ao seu título, Alkimia Solar I, visto que é muito semelhante às imagens de satélite do Sol com suas labaredas de fogo, crateras vulcânicas e com o azul infinitamente negro do universo ao fundo. (…) Supõe- se que a intenção do artista ao adotar a liga metálica como base de preparação seja de imprimir textura e volumetria, mas também de associar o material à poética do título, remetendo às camadas vulcânicas e magmáticas da superfície solar que são semelhantes à formação dos metais encontrados na natureza. (SANTOS, p. 77-78)

Para saber mais: SANTOS, Nelyane Goncalves; VIVAS, Rodrigo. A história da arte de Belo Horizonte a partir de obras dos Salões Municipais entre 1964 e 1968. 2014. 165 f. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de Minas Gerais, Escola de Belas Artes.

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