Forma e Cor nº 1 e Quadro C, 1967.

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Forma e Cor nº 1. Tomoshige Kusuno, 1967. (120 x 90 x 12 cm). Foto: Nelyane Santos, fevereiro de 2013. Acervo Museu de Arte da Pampulha.

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Quadro C. Eduardo Aragão, 1967. (111 x 106,5 x 9 cm). Foto: Cláudio Nadalin, novembro de 2011.

Tentando traçar qual o percurso de conhecimento do mundo da arte que os artistas Tomoshige Kusuno e Eduardo Aragão empreenderam na produção de suas obras, partimos para o estudo de movimentos artísticos e tendências presentes nos principais circuitos de arte da década de 1960. A partir da correlação feita por Jayme Maurício, crítico e jurado da época, com um artista britânico, Richard Smith, e da análise das pinturas, deparamo-nos com as correlações possíveis entre as obras destes artistas e a produção artística da Minimal Art e da Hart Edge, movimentos vinculados ao surgimento da Pop Art no final da década de 1950 e início dos anos 60. (…)Os materiais e técnicas na obra Forma e Cor nº 1, de Tomoshige Kusuno e em Quadro C, de Eduardo Aragão, determinam na sua proposta estética o diálogo dos artistas com a arte. No caso da inserção de volumetria ao suporte, o rompimento da tradição foi importante para determinar o problema artístico em transpor para o bidimensional a percepção tridimensional de espaço/forma. A discussão acerca das marcas da tradição artística e de uma nova proposta visual nestas duas pinturas perpassa a questão das diferentes maneiras de se imprimir o aspecto visual da tridimensionalidade na pintura. Na obra Forma e cor nº1, a tridimensionalidade foi ainda mais acentuada por se projetar ondulação ao quadro, associando-se formas abauladas às cores em espaços geométricos bem delimitados.

Em Quadro C e em Forma e Cor nº1, a questão da materialidade carrega o sentido definidor da imagem. Neste viés, na obra de Aragão a imagem da seta apontaria para o óbvio da representação volumétrica associando bi e tridimensional. Este seria então o tema da obra: a volumetria na categoria pintura, tradicionalmente associada à bidimensionalidade. Na obra de Kusuno, a associação imediata entre forma e áreas de sucessivas superposições de cores vibrantes oferece ao observador a movimentação e propulsão visual que extrapolam os sentidos da bidimensionalidade relacionada à tradição da pintura.

Para saber mais: SANTOS, Nelyane Goncalves; VIVAS, Rodrigo. A história da arte de Belo Horizonte a partir de obras dos Salões Municipais entre 1964 e 1968. 2014. 165 f. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de Minas Gerais, Escola de Belas Artes.

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