Crítica de Arte 2019/02

Programa da disciplina Crítica das Artes Visuais

Orientações Gerais:

As aulas terão início às 8:20, com tolerância de 10 min. em casos de atraso. Serão realizadas duas chamadas, sendo uma no primeiro turno, e a segunda às 10:30, no segundo turno.

O primeiro turno será de 8:30 às 10 horas. Com 30 minutos de intervalo.

O segundo turno terá início às 10:30 com término previsto para 12:10.

É obrigatório trazer os textos para discussão em sala. Como forma de abertura dos debates, serão selecionados, em cada aula, um grupo de alunos para apontar questões dos textos (entretanto a participação está aberta a todos os alunos). Caso não haja participação da turma nos debates, seguiremos com as aulas e toda semana haverá uma atividade com questionário a ser respondido e avaliado.

Alguns pontos importantes sobre o desenvolvimento das aulas:

  • em algumas aulas serão propostas análise de textos críticos, visando uma compreensão da construção dos argumentos utilizados por cada autor;
  • também serão propostas análises de obras/exposições, baseando-se na escrita de textos críticos, tendo como objetivo a compreensão de um público que não possui conhecimento sobre conceitos e técnicas relacionados às artes visuais;
  • em cada aula serão apresentados alguns conceitos, sendo de responsabilidade dos alunos realizar anotações, pois estes serão importantes para todas as discussões, bem como as avaliações;
  • teremos duas avaliações abertas, baseadas nos textos e discussões realizadas em sala de aula (este ponto ainda poderá ser negociado com a turma, a depender de seu desenvolvimento);

Objetivos gerais da disciplina:

Compreensão dos conceitos, sistemas e circuitos artísticos em sua tradição, perpassando o debate sobre o sistema vigente no Brasil.

Fazer leituras de textos críticos originais/oficiais, além de análises posteriores realizadas sobre o debate crítico das artes visuais instaurado desde o século XIX até a década de 90, buscando compreender o circuito artístico de cada época.

 

FAÇA DOWNLOAD DOS TEXTOS DA PRIMEIRA PARTE DO CURSO

Aula 01 — Crítica de Arte e Modernidade:

Definição de História e Crítica de Arte. Modalidades de crítica

Serão apresentados os conceitos essenciais para o funcionamento do “sistema artístico”. O esquema inicial se encontra no Mapa Institucional ou Sistema da Arte – Esquema.

PANOFSKY, Erwin. A História da Arte como disciplina humanística. Significado nas artes visuais. 2. ed. São Paulo: Perspectiva, 1979. pp. 19-46.

Referências mencionados na discussão em sala:

FOUCAULT, M. Qu’est-ce que la Critique?. Bulletin de la Société Française de Philosophie,
Paris, t. LXXXIV, année 84, n.2, p.35-63, avr./juin. 1990.

BARTHES, Roland; PERRONE-MOISÉS, Leyla. Critica e verdade. 3. ed. São Paulo: Perspectiva, 1999. 231 p. (Debates ; 24).

GINZBURG, Carlo. “De Warburg a Gombrich”. In: Mitos, emblemas e sinais – Morfologia e História. São Paulo, Companhia das Letras, 1990.

 

____________________________________________________________________________________________

Aula 02 — Arte como sistema

BOURDIEU, P. Gênese histórica de uma estética pura. In: BOURDIEU, P. O poder simbólico. Lisboa: Difel, 1989. pp. 281-299

 _____________________________________________

Aula 03 — A crítica de Gonzaga Duque

O texto do Gonzaga Duque é o primeiro texto “histórico” que estamos lendo no curso.

Textos obrigatórios:

  1. Apresentação do Tadeu Chiarelli sobre Gonzaga Duque: CHIARELLI, Tadeu. Apresentação. In_DUQUE ESTRADA, Luís de Gonzaga; . A arte brasileira. Campinas, (SP)- Mercado de Letras, c1995.
  2. Texto de análise de Gonzaga Duque sobre Almeida Jr.: DUQUE ESTRADA, Luís de Gonzaga; Almeida Jr. e Amoedo. In_A arte brasileira. Campinas, (SP)- Mercado de Letras, c1995.

Outras críticas:

KUSABA, Andréia Costa (org.)Rodolpho Amoêdo, por Gonzaga Duque. 19&20, Rio de Janeiro, v. III, n. 2, abr. 2008. Disponível em: <http://www.dezenovevinte.net/artigos_imprensa/gd_ra.htm>.

Transcrição do texto “A Exposição do Mez”, publicado na revista Kosmos, n.4, abril de 1905, pp.10-14, feita a partir de original pertencente a Biblioteca do Museu Nacional de Belas Artes – RJ.  Reproduzimos aqui as ilustrações que acompanhavam a publicação original e procuramos manter a grafia original.

DUQUE, Gonzaga. Graves & Frívolos. Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1910, p. 63sg. (Versão com ortografia atualizada do texto publicado na coletânea).

Questões para o desenvolvimento da leitura:

  1. Localize a trajetória de Gonzaga Duque;
  2. Quais os principais trabalhos de Gonzaga Duque?
  3. Qual o contexto institucional que Gonzaga Duque escreve?
  4. Qual a argumentação para sustentar a análise do autor (outros autores, obras de arte, etc)?
  5. Qual o artista está sendo estudado e quais os méritos ou justificativas apresentadas na narrativa textual?
  6. Existem dúvidas sobre o texto?

Leitura complementar: Abaixo estão reproduções de obras do artista Belmiro de Almeida — que foi o foco de uma das críticas de Gonzaga Duque —, seguido de novas análises, realizadas por Rodrigo Vivas e Marcia Georgina:

Belmiro de Almeida. Arrufos, 1887. Óleo sobre tela, 89 x 116 cm. Rio de Janeiro, Museu Nacional de Belas Artes.

Em 1887, executa a conhecida obra Arrufos, que participa da Exposição Geral da Academia Imperial de Belas Artes de 1890. Recebeu comentários calorosos de Gonzaga Duque chegando ao ponto de mencionar que “ainda no Rio de Janeiro não se fez um quadro tão importante como é este”, visto que os pintores preferem os assuntos históricos, mas “não se ocupam com a época nem os costumes que devem formar os caracteres aproveitáveis na composição dessas telas”.

Arrufos representa um momento de desentendimento entre um casal. Gonzaga Duque o descreve como “o marido, um rapaz de fortuna, chega em companhia da esposa à bonita habitação em que viviam até aqueles dias como dois anjos”. A descrição contempla a análise do interior do ambiente onde “é presidido por um fino espírito feminino, educado e honesto”. O ambiente calmo, “fino e educado”, terá em contraposição à mulher, que é “subjugada por um acesso de ira, atira-se ao chão, debruça-se ao divã para abafar entre os braços o ímpeto do soluço”. Gonzaga Duque é tão detalhista quanto Belmiro ao descrever cada traço do quadro que merece ser apresentado:

Debaixo do seu vestido “foulard” amarelo percebe-se o colete, o volume das saias, os artifícios exteriores que a mulher emprega para dar harmonia à linha do corpo. Na fímbia do vestido a ponta do sapatinho de pelica inglesa ficou esquecido, sobre o tapete do assoalho, como se propositalmente, animado por estranho poder, tomasse aquela atitude para contemplar a rosa que caiu do peito da moça e jaz no chão, melancólica, desfolhada, quase murcha, lembrando a olorente alegria que se despegara do coração da feliz criatura naquele tempestuoso momento de rusga. E o esposo, um guapo rapaz delicado e forte, num gesto de indiferentismo, atende a tênue fumaça que se desprende do charuto, levantando-o entre os dedos, em frente do rosto.

Texto completo: Vivas, Rodrigo ; ASSIS, Márcia Georgina de . A Academia Imperial de Belas Artes no Museu Mineiro. 19&20 (Rio de Janeiro), v. VIII, p. 1, 2013.

 

belmiro-de-almeida-ma-noticia

Belmiro de Almeida. Má Notícia, 1897. Óleo sobre tela, 167 x 168 cm. Belo Horizonte, Museu Mineiro.

A obra Má Notícia representa um recorte de um ambiente interno, composto por duas poltronas, um quadro e um tapete. Ao centro da tela deslocado em diagonal vê-se uma poltrona individual onde está uma mulher que parece ter se jogado desesperadamente na mesma, após ler uma carta que foi lançada ao chão. A mulher com cabelos longos e louros coloca a mão na testa não deixando visível seu olhar. A sensação é de completo desespero e a ação parece se desenrolar conjuntamente com o observador que, como voyeur, acompanha a cena sem ser notado. O formato da tela parece reafirmar essa sensação. A iluminação cumpre um importante papel no desenvolvimento da cena. Inicia-se em uma porta, possivelmente aberta, onde a carta foi recebida e agora foi jogada ao chão. Ilumina os braços, passando pelo cabelo e ganhando maior movimento nos sulcos do vestido que chega a mudar de cor.

Texto completo: Vivas, Rodrigo ; ASSIS, Márcia Georgina de . A Academia Imperial de Belas Artes no Museu Mineiro. 19&20 (Rio de Janeiro), v. VIII, p. 1, 2013.

Aula 04 — O Modernismo no Brasil – 20 de abril

A aula estará dividida em dois momentos. No primeiro discutiremos o tema O mito do modernismo em questão a partir da leitura do texto de introdução da tese de Arthur Valle. No segundo momento, passaremos a discussão das críticas disponíveis nos links abaixo que receberam o título de Salões, Exposições Gerais de Belas Artes. Estará disponível no moodle uma atividade para análise destas críticas, cujo objetivo é descrever, apontando os argumentos utilizados pelos autores em seus textos.

Textos obrigatórios:

  1. COLI, Jorge; ABDALA JUNIOR, Benjamin. A inveção da descobreta. In Como estudar a arte brasileira do século XIX. São Paulo_ Editora Senac São Paulo, 2005

Textos críticos sobre o pintor Aníbal Mattos:

  1. Artes e Artistas. Minas Gerais. Belo Horizonte, 09 de dezembro 1923. p. 04.
  2. Artes e Artistas. Minas Gerais. Belo Horizonte, 30 de junho 1919. p. 13.
  3. Diário de Minas. Belo Horizonte, 02 de Setembro de 1926. p. 01.
  4. Diário de Minas. Belo Horizonte, 17 de maio 1924. p. 01.
  5. NETTO, Azeredo. Trechos, Minas Gerais. Belo Horizonte, 19 de Junho de 1913. p. 02.
  6. SILVA, M. Nogueira da. O Pintor Aníbal Matos. Rio de Janeiro A Notícia. 3 de setembro de 1941.

Leitura complementar:

  1. VIVAS, Rodrigo. Aníbal Mattos e as Exposições Gerais de Belas Artes em Belo Horizonte. 19&20, Rio de Janeiro, v. VI, n. 3, jul./set. 2011. Disponível em:
  2. VIVAS, Rodrigo. Aníbal Mattos: o pintor inaugural e a tradição visual. In: Por uma história da arte em Belo Horizonte: artistas, exposições e salões de arte. Belo Horizonte: C/Arte, 2012. p. 42-64.

Salões, Exposições Gerais de Belas Artes

 

Alguns trechos dos artigos com análise das obras de Aníbal Mattos:

anibal-mattos-antiga-capela-de-sabara-1925-52-x-626-cm-museu-mineiro

Aníbal Mattos. Antiga Capela de Sabará, 1925. 52 x 62,6 cm. Museu Mineiro.

As articulações entre civis e militares, iniciadas em 1923, direcionaram-se para a capital paulista sob o comando do general Isidoro Dias Lopes. O conjunto de fatos ficou conhecido no período como o reinício do Movimento Tenentista. A Estação da Luz não escapou ilesa, sendo queimada conjuntamente com toda a obra de Mattos ali armazenada (como consequência de uma sucessão de medidas autoritárias para o fim das oposições ao presidente Arthur Bernardes). Apenas duas telas foram salvas: Mata Iluminada e Terra Mineira.

Aníbal Mattos continua sua produção artística mesmo após a destruição do conjunto da sua obra. No ano de 1925, pinta a obra Antiga Capela de Sabará. Mattos passa a assumir o domínio da cor em contraposição ao desenho deixando cada vez mais aparente o gesto do pincel que percorre a tela.

Texto completo: VIVAS,Rodrigo. Por uma História da Arte em Belo Horizonte: Artistas, exposições e salões de arte. Belo Horizonte: C/ Arte, 2012. 248 p.

 

anibal-mattos-casas-de-cidade-antiga-1926-40-x-328-cm-museu-mineiro

Aníbal Mattos. Casas de Cidade Antiga, 1926. 40 x 32,8 cm. Museu Mineiro.

 

Na obra Casas de Cidade Antiga, de 1926, Aníbal pintou os mesmos temas históricos, e, apesar de não modificar os temas tradicionais, parece assumir plenamente a pintura como campos de cor. A vegetação e as casas no lado esquerdo da cena são formadas pela sobreposição de massas cromáticas. Mattos aplica tantas camadas de tinta que exige que o observador se afaste da tela para que consiga formar a imagem. Não existe mais um esforço para a preparação do desenho e posteriormente a construção das figuras. Mattos consegue construir uma imagem orgânica rejeitando as oposições tradicionais entre figura e fundo.

Texto completo: VIVAS,Rodrigo. Por uma História da Arte em Belo Horizonte: Artistas, exposições e salões de arte. Belo Horizonte: C/ Arte, 2012. 248 p.

 

Aula 05 — A arte de Vanguarda e o Modernismo Brasileiro – 20 de abril

Nesta aula serão discutidos no primeiro momento os argumentos de Greenberg que permearam a questão da diferenciação entre a arte de vanguarda e o kitsch, e no segundo momento será discutido os textos de Chiarelli, o qual analisa a crítica de Mário de Andrade, responsável por forjar o conceito de modernismo na arte brasileira da década de 20.

Textos obrigatórios:
Vanguarda e Kitsch

  1. GREENBERG, Clement. Vanguarda e kitsch. In: GREENBERG, Clement et al. Clement Greenberg e o debate crítico. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001. p. 27 – 43.

Críticas de Mário de Andrade

  1. CHIARELLI, T. Introdução. In: Pintura não é só beleza – a crítica de arte de Mário de Andrade. Letras Contemporâneas, 2007
  2. CHIARELLI, T. O círculo que se abre. In: Pintura não é só beleza – a crítica de arte de Mário de Andrade. Letras Contemporâneas, 2007

Aula 06 — História da arte brasileira ou história da arte no Brasil?

Textos obrigatórios:

  1. CHIARELLI, Tadeu. Introdução. In Arte Internacional brasileira. São Paulo Lemos-Editorial, 2002.
  2. NAVES, Rodrigo. Introdução. A forma difícil: ensaios sobre arte brasileira. São Paulo: Ática, 1996. 285p.

Textos complementares:

  1. As idéias fora do lugar, Roberto Schwarz
  2. As idéias estão no lugar, Maria Sylvia de Carvalho Franco

Aula 07 — A crítica de Sérgio Milliet

Textos obrigatórios:

  1. MILLIET, Sérgio. “Da Pintura Moderna” In: Três Conferências. Rio de Janeiro: Ministério de Educação e Cultura, 1955.
  2. MILLIET, Sérgio. “Do assunto”. In: Pintores e Pinturas. São Paulo: Martins Fontes, 1940.
  3. MILLIET, Sérgio. “Em torno do 3o. Salão de Maio” In: Pintores e Pinturas. São Paulo: Martins Fontes, 1940.

Aula 08 — Abstração vs. Figuração: Vanguardas

Textos obrigatórios:

  1. BILL, Max. O Pensamento Matemático na Arte de nosso tempo.1950.
  2. Manifesto Ruptura.
  3. GULLAR, Ferreira. Manifesto Neoconcreto. Jornal do Brasil, 22 de março de 1959.
  4. ARANTES, Otília Beatriz Fiori. O ponto de vista do crítico. In – Mario Pedrosa, itinerário crítico. São Paulo Editora Cosac Naify, 2004. p. 31-77.
  5. ARANTES, Otilia Beatriz Fiori. Abstração e Modernidade. In – Mario Pedrosa, itinerário crítico. São Paulo Editora Cosac Naify, 2004. p. 31-77.

Aula 09 — Início da década de 60: dos Salões de Arte à Neovanguarda — o debate crítico

Textos obrigatórios:

  1. ALVARADO, D.V.P. Figurações Brasil anos 60: neofigurações fantásticas e neo-surrealismo, novo realismo e nova objetividade. São Paulo: Itaú Cultural; Edusp, 1999.
  2. COUTO, Maria de Fátima Morethy. Por uma vanguarda nacional. A crítica brasileira em busca de uma identidade artística (1940-1960). Campinas: São Paulo, Editora da Unicamp, 2004.
  3. REIS, Paulo Roberto de Oliveira. Exposições de arte – vanguarda e política entre os anos 1965 e 1970. Tese de Doutorado defendida na Universidade Federal do Paraná em 2005.
  4. RIBEIRO, Marília Andrés. Neovanguardas: Belo Horizonte – anos 60. Belo Horizonte: C/Arte, 1997. Cap. 3, 4, 5.
  5. VIVAS, Rodrigo. Os Salões de Arte da Prefeitura de Belo Horizonte. In: Por uma história da arte em Belo Horizonte: artistas, exposições e salões de arte. Belo Horizonte: C/Arte, 2012. p. 118-144
  6. ZAGO, Renata Cristina de Oliveira Maia. Os salões de Arte Contemporânea de Campinas. Dissertação de Mestrado defendida no Instituto de Artes – Unicamp, 2007.

Leitura complementar: VIVAS, Rodrigo. Arte Nacional no Salão Municipal de Belas Artes e a emergência da arte contemporânea. In: Por uma história da arte em Belo Horizonte: artistas, exposições e salões de arte. Belo Horizonte: C/Arte, 2012. p. 145-202

Aula 10 — Eventos: Do corpo à Terra e Objeto e participação

Textos obrigatórios:

  1. VIVAS, Rodrigo. Arte Contemporânea em Belo Horizonte. In: Por uma história da arte em Belo Horizonte: artistas, exposições e salões de arte. Belo Horizonte: C/Arte, 2012. p. 204-228.
  2. REIS, Paulo Roberto de Oliveira. Exposições de arte – vanguarda e política entre os anos 1965 e 1970. Tese de Doutorado defendida na Universidade Federal do Paraná em 2005.

Aula 11 — Década de 70: Experimentação ou conformismo?

Textos obrigatórios:

  1. PECCININI, Daisy. (org) Arte. Novos Meios, Multimeios. Anos 70/80. São Paulo: Instituto de Pesquisa, Setor de Arte FAAP, 1985.
  2. BASBAUM, Ricardo. (org) Arte contemporânea Brasileira. texturas, dicções, ficções e estratégias. Rio de Janeiro: Ed. Rios ambiciosos, 2001.
  3. FARIAS, Agnaldo. Arte brasileira hoje. São Paulo: Publifolha, 2002.
  4. FREIRE, Cristina. Poéticas do processo. Arte conceitual no museu. São Paulo: MAC USP, Iluminuras, 1999.

Artistas: José Alberto Nemer, Lothar Charoux, Raymundo Colares, Humberto Espíndola, Jarbas Juarez, Terezinha Veloso, Iazid Thame, Siron Franco, Marília Giannetti, Márcio Sampaio, Mário Zavagli.

 

Aula 12 — Décadas de 80 e 90: Ressurgimento da pintura?

Textos obrigatórios:

  1. BASBAUM, Ricardo. Pintura dos anos 80: algumas observações críticas. In: ______ (Org). Arte contemporânea brasileira: texturas, dicções, ficções estratégias. Rio de Janeiro: Rios Ambiciosos, 2001. p. 299-317. Link para download no site ICAA (necessário fazer login)
  2. CANONGIA, Ligia. Anos 80: embates de uma geração. Rio de Janeiro: Francisco Alves, [201?]. 244 p
  3. CANTON, Katia. Novíssima arte brasileira: um guia de tendências. São Paulo: Iluminuras, 2001.
  4. MORAIS, Frederico. Anos 80: a pintura resiste. In: BR 80: pintura Brasil década 80. São Paulo: Instituto Cultural Itaú, 1991.

 

Referências complementares:

Identificação iconográfica:

  1. OLGA’S GALLERY – ONLINE ART MUSEUM
  2. Web Gallery of Art, searchable fine arts image database

O livro Legenda Áurea: vida de santos, de Jacopo Varazze está disponível para download no seguinte site.

Referências indicadas durante as aulas (links disponíveis em outros sites da internet)

CHIARELLI, Tadeu. De Anita à academia: para repensar a história da arte no Brasil. Novos estud. – CEBRAP, São Paulo , n. 88, p. 113-132, Dec. 2010 . BENJAMIN, Walter. O narrador: considerações sobre a obra de Nikolai Leskov. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. São Paulo: Brasiliense, 1994, p. 197-221.

A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica, de Walter Benjamin

Microfísica do poder, de Michel Foucault

A estética da recepção: Colocações Gerais, de Hans Robert Jauss

Paranoia ou mistificação? crítica de Monteiro Lobato aos modernistas brasileiros.

Texto Passados presentes: midias, politica, amnesia, do livro Seduzidos pela Memória, de Andreas Huyssen

As novas regras do jogo: o sistema da arte no Brasil, organizadora Maria Amélia Bulhões

Desobediência epistêmica: a opção descolonial e o significado de identidade em política, de Walter D. Mignolo

Almeida Júnior: o sol no meio do caminho, de Rodrigo Naves

A violência e o caipira, de Jorge Coli

As regras da arte: genese e estrutura do campo literario, de Pierre Bourdieu

Ambiguidades na construção de um “gênio brasileiro”, de Icleia Borsa Cattani

As idéias fora do lugar, Roberto Schwarz

As idéias estão no lugar, Maria Sylvia de Carvalho Franco

Portinari, Pintor Social, de Annateresa Fabris

Um Jeca nos Vernissages, de Tadeu Chiarelli

Arte Para Quê? – a Preocupação Social na Arte, de Aracy Amaral

A Arte no Brasil nas décadas de 1930-40: o Grupo Santa Helena, de Walter Zanini

Profissão Artista: pintoras e escultoras acadêmicas brasileiras, de Ana Paula Cavalcanti Simioni

 

Indicações para os trabalhos:

Sobre o Problema do Desenho:

LICHTENSTEIN, Jacqueline. (Org.). A pintura. Vol. 9. O desenho e a cor. São Paulo: Ed. 34, 2006.

MATTOS, Aníbal. As artes do Desenho no Brasil. 1923.

SAMPAIO, Márcio. O desenho em Minas. Belo Horizonte – Palacio das Artes, 1979.

VALÉRY, Paul. Degas Dança Desenho. Tradução por Christina Murachco. São Paulo_ Cosac&Naify

DIAS, Bruno dos Santos; DUARTE, Renata Garcia Campos, FONSECA, Daniela Flávia Martins. O Desenho em foco: a arte aplicada na transição do século XIX para o XX. 19&20, Rio de Janeiro, v. III, n. 2, abr. 2008. Disponível em: <http://www.dezenovevinte.net/ensino_artistico/ea_bd_desenho.htm&gt;

GOMES, Sonia Pereira. Arte, ensino e academia: estudos e ensaios sobre a Academia de Belas Artes do Rio de Janeiro, 1. Ed. Rio de Janeiro: Faperj, 2016, 360 p.

Trabalhos/Avaliações

Cronograma:

Entrega da análise completa: 06 de novembro de 2017

Primeira Prova: 10 de novembro de 2017

Orientações Gerais:

O trabalho a ser desenvolvido em três passos, com objetivo de avaliação processual tem como ponto de partida o método para análise de obras de arte proposto no artigo Da narrativa comum à História da Arte: uma proposta metodológica. Cada aluno deverá selecionar uma das obras propostas durante às aulas e realizar a análise seguindo alguns critérios:

  • o texto deve ser escrito tendo-se como objetivo a compreensão de um público que não possui conhecimento sobre conceitos e técnicas relacionados às artes visuais;
  • deverá estar formatado conforme as normas da ABNT, trabalhos fora do padrão de formatação não serão avaliados
    — Links para download: Normas para Formatação (simplificado) e FRANÇA. Junia Lessa. Manual para normalização de publicações técnico-cientificas. 8a Ed. Belo Horizonte, Ed.: UFMG, 2008, p. 49-255
  • como o trabalho será dividido em três partes a serem entregues em datas combinadas, o aluno deverá, ao receber feedback, retomar o texto avaliado buscando solucionar as questões indicadas;
  • a análise partirá dos seguintes aspectos, que são especificados no artigo artigo Da narrativa comum à História da Arte: uma proposta metodológica.:
  1.         Formal: descrição física e espacial;
  2.         Aspectos narrativos: a iconografia e a iconologia, ou Aspectos descritivos: Motivos artísticos, arte não figurativa e experimentação
  3.         Mundo da Arte: Valoração, Inserção e Veiculação
    — Link para download do artigo:
    VIVAS, Rodrigo; GUEDES, Gisele. DA NARRATIVA COMUM À HISTÓRIA DA ARTE: UMA PROPOSTA METODOLÓGICA. Art Sensorium. Revista Interdisciplinar Internacional de Artes Visuais. 2015. VOL. 2, N.1
  • a estrutura de argumentação do texto deve deixar claro as escolhas que foram feitas para analisar a obra, por exemplo:
  1.         A escolha parte de uma análise dos aspectos formais, iconográficos ou iconológicos? Se cabe à obra uma análise iconográfica ou alegórica, mas a escolha foi a de analisar somente dos aspectos formais, deve-se deixar claro no texto a escolha, deixando como observação o fato desta não ser a única forma de analisar o objeto;
  2.         Nos casos do ponto de vista em que se observa a obra, principalmente se tratando daquelas que estão em ambiente externo, deve-se especificar a motivação da escolha, deixando claro à existência de outros pontos de vista ou não, uma vez que as análises não se baseiam em uma verdade fechada;
  3.         Se a obra apresenta uma diversidade de representações, por exemplo, o painel externo da Igreja da Pampulha, deve-se especificar se a análise contemplará todos as imagens nele contida, ou se partirá de uma seleção de algumas delas, deixando claro a existência de outras imagens na obra;
  • A análise escrita por si só não é suficiente, será obrigatório anexar imagens para demonstração dos argumentos, por exemplo:
  1.         Quando se afirma que para observar uma obra é necessário uma circulação ao seu redor, deve-se anexar fotografias de todos estes pontos de vista, demonstrando as especificidades de cada um deles;
  2.         Se o caminho de análise parte da iconografia ou iconologia, será obrigatório apresentar imagens produzidas sobre o mesmo tema como demonstração da argumentação, cabendo ainda apresentar quais os aspectos diferenciais apresentados pela obra analisada;
  3.         Se a análise não contempla iconografia ou iconologia, deve-se demonstrar, a medida do possível, imagens da obra analisada, apontando algumas questões, por exemplo: a obra se caracteriza por um gestual? Quais as sensações produzidas pelo material utilizado pelo artista?

 

Além dos tópicos propostos no artigo, também há de se considerar os seguintes caminhos propostos abaixo:

 

  • Item 1: Modalidade Artística

 

A modalidade artística define o tipo de categoria pertence à obra. Tradicionalmente as obras possuíam categorias como pintura, escultura, gravura, arquitetura. A partir do século XIX, as categorias foram ampliadas e, por vezes, hibridizadas. Com isso, o desenho tornou-se uma categoria autônoma, outros materiais foram acrescentados, as divisões entre pintura, escultura, ficaram comprometidas.

Ao mencionar a modalidade artística você está se posicionando e localizando a obra na tradição ou em seu tensionamento. A modalidade também se inscreve na possibilidade de reconhecimento da figura a partir da sua experiência prática.  Onde a obra começa e termina também é um elemento fundamental.

Observações:

Nos casos onde a obra não corresponde a nenhuma das categorias tradicionais, como pintura, desenho, gravura, escultura, etc., cabe avaliar se trata-se de alguma das novas categorias criadas para definir algumas produções contemporâneas, precisando-se tomar cuidado para não taxar o objeto em uma categoria não condizente com o que a obra de fato propõe.

Expressões como “possivelmente”, “aparentemente”, podem ser um bom recurso para conduzir o argumento. No entanto, para categorias não tradicionais,  lembrando-se que os textos devem ser escritos pensando em um público que não reconhece estes conceitos, é imprescindível apresentar um breve parágrafo comentando as diferenças entre tal categoria e as categorias tradicionais das modalidades artísticas.

 

  • Item 2: Materiais artísticos

 

Cada material artístico está associado tradicionalmente a uma técnica. A utilização de materiais está associado a uma aprendizagem específica. O mesmo ocorre com uma técnica. É necessário conhecer as técnicas para compreender a sua utilização na época contemporânea. Cada material produz um efeito visual específico. Você deverá destacá-lo na sua análise.

Observações:

Durante a análise das obras é necessário descrever o material utilizado para sua realização, e ao mesmo tempo, apresentar uma descrição de como possivelmente esse material é utilizado pelo artista, produzindo tal efeito/resultado na obra.  

Alguns exemplos:

Ao comparar os materiais artísticos tradicionais para se realizar uma pintura, como a tinta a óleo, acrílica, aquarela ou têmpera, sabemos que estes possuem comportamentos distintos devido a sua própria característica, mas também a depender da forma a qual são utilizados pelo artista.

O uso destes materiais pode definir um trabalho com manchas, com transparências, com escorrimento, com acúmulo, sendo visíveis os gestos do artista, assim como podem ser utilizados em um trabalho minucioso, cujo controle do material não denunciam o gesto do artista.

O mesmo pode ser observado nas diferenças entre uma escultura de mármore, bronze, madeira ou metal.

Ao leitor é necessário apresentar de modo mais objetivo possível as principais características da forma com que o artista aparentemente trabalhou o material utilizado em sua obra. Lembrando que produções contemporâneas podem não possuir nenhum dos materiais tradicionais utilizados em pintura, desenho, gravura, assim como pode utilizá-los de forma mista a outros materiais, produzindo assim outros resultados à partir da técnica empregada ao material.

 

  • Item 3: Suporte

 

O suporte também tem sua história. Cada suporte foi utilizado dentro da história da arte a partir de uma finalidade. O efeito visual também modifica completamente.

Observações:

Como se sabe, tradicionalmente cada categoria artística sempre possuiu um suporte específico no qual seriam empregados os materiais e técnicas para constituição da obra de arte, assim sendo, a pintura (à óleo, acrílica ou aquarela) é realizada sobre tela, papel ou cartão; o desenho e gravura sobre o papel. Com as novas categorias artísticas isto foi modificado, portanto, ao avaliar uma obra, é imprescindível reconhecer seu suporte e também trazer ao leitor um breve comentário sobre a diferenciação deste modo de criação em relação à tradição. Por exemplo, se um desenho for realizado na parede e ao invés de lápis, carvão, etc., for realizado com linhas de lã, este pode se tornar um argumento para demonstrar o tensionamento provocado pela obra em relação à tradição do desenho. Entretanto é necessário de fato que tal proposta seja reconhecida dentro da categoria desenho, necessitando portanto ser justificada tal aproximação.

 

  • Item 4: Descrição Espacial

 

A descrição espacial é de extrema relevância, pois você concretiza e comprova as afirmações realizadas acima. Qual a distância você deve estar do objeto? Para elaborar tal afirmação é necessário que você saiba qual o “objeto”. Onde ele começa e termina. Cada técnica também produz um efeito distinto ao ser utilizada. A observação da tinta óleo não é mesma considerando uma distância de 30 cm, 1 metro ou 5 metros. O tamanho do quadro, por exemplo, interfere na visão.

Observação:

A descrição espacial também se refere ao valor aproximado das dimensões do objeto, da forma em que ele se encontra exposto em relação não somente ao corpo de quem o observa, mas ao espaço expositivo, por exemplo, a altura em que a obra está afixada na parede, ou no teto, ou em alguns casos a altura que a obra está em relação ao chão. Como se dá as relações do corpo com este objeto? Quando se observa o objeto é necessário aproximação ou deslocamento? O olhar do observador necessita circular a obra ou o espaço ao qual esta se encontra? É necessário abaixar-se, sentar-se, olhar para cima ou para baixo? É necessário tocar o objeto ou não?

Referências para análise das obras:

Leitura obrigatória:
VIVAS, Rodrigo; GUEDES, Gisele. DA NARRATIVA COMUM À HISTÓRIA DA ARTE: UMA PROPOSTA METODOLÓGICA. Art Sensorium. Revista Interdisciplinar Internacional de Artes Visuais. 2015. VOL. 2, N.1

 

  • Identificação iconográfica:
  1.     OLGA’S GALLERY – ONLINE ART MUSEUM
  2.     Web Gallery of Art, searchable fine arts image database
  3.     ROBERTS, Helene. Encyclopedia of Comparative Iconography_themes depicted in works of art. Vol. 01&02, 1998

O livro Legenda Áurea: vida de santos, de Jacopo Varazze está disponível para download no seguinte site.

 

  • Identificação iconológica:
  1. Livro Iconologia, de Cesare Ripa, disponível nos seguintes links: Us Archive, Scribd e Warburg

 

  • Identificação dos gêneros (motivos artísticos):
  1. Retrato:

Olhar e ser visto: a figura humana da renascença ao contemporâneo na Casa Fiat de Cultura (catálogo), link para download no Scribd

Olhar e ser visto, exposição do MASP (catálogo)

Referências complementares:

LICHTENSTEIN, Jacqueline. (Org.). A pintura. Vol. 10. Generos Pictóricos. São Paulo: 34, 2006

COLI, Jorge. O corpo da liberdade: reflexões sobre a pintura do século XIX. São Paulo: Cosac Naify, 2010.

MELLO, Magno Moraes (org.). A Arquitetura do Engano: perspectiva e percepção visual no tempo do Barroco entre a Europa e o Brasil. Belo Horizonte: Fino Traço; PPGHIS-UFMG, 2013

BELTING, Hans. O fim da história da arte: uma revisão dez anos depois. São Paulo: Cosac Naify, 2006. Link do Prefácio para download no Scribd, link para download da primeira parte do livro, até a página 40 no Scribd

PANOFSKY, E. Significado nas Artes Visuais. Tradução: Maria Clara F. Kneese e J. Guinsburg. São Paulo: Perspectiva, 2ª ed., 1986. Link para download do capítulo “Iconografia e Iconologia: Uma introdução ao estudo da arte da Renascença” no Academia.edu

Klibansky, R.; Panofsky, E. & Saxl, F. (1989). Saturne et la melancolie. Etudes historiques et philosophiques: nature, religion, médecine et art (F. Durand-Bogaert & L. Évard. Trads.). Paris: Gallimard. (Trabalho original publicado em 1964). Link para download no Monoskop (em inglês)

ARCHER, Michael. Arte contemporânea: uma historia concisa. São Paulo: Martins Fontes, 2001. Link para download do livro completo no Scribd

BOIS, Yve-Alain; FOSTER, Hal; KRAUSS, Rosalind; BUCHLOH, Benjamin H. D. Art Since 1900. Modernism, Antimodernism,  Postmodernism. New York: Thames and Hudson, 2004.

BARTHES, Roland. Mitologias. Tradução de Rita Buongermino, Pedro de Souza e Rejane Janowitzer. Rio de Janeiro: DIFEL, 2009. Links para download no Scribd, Academia.edu, Monoskop e LeLivros

GULLAR, Ferreira. Teoria do não objeto. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 19-20 dez. 1959. Suplemento Dominical. p. 1. Link para download no Icaadocs.

Profissão Artista

Conforme foi divulgado em sala de aula, estamos realizando uma pesquisa com objetivo de compreender de que constitui-se não somente o circuito artístico de Belo Horizonte, como de que modos se dá a profissão do artista visual da cidade. O questionário pode ser respondido por qualquer pessoa que se auto intitule artista, sendo formado ou não em cursos da área.

Peço que colaborem com a divulgação deste questionário, em breve faremos um relatório sobre os resultados desta pesquisa.

Link do questionárioProfissão artista